Felicidade

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Felicidade

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Felicidade é o que mais se busca diariamente e o que menos se encontra. A constatação da experiência mostra que é sempre muito mais fácil ser infeliz do que, feliz. A tristeza é natural, a alegria precisa ser construída. Existem muitas definições para felicidade.

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Alguns falam que felicidade são momentos felizes e não um estado permanente. Há aqueles que dizem que felicidade é o contrário de prazer, enquanto que, para outros, seria sinônimo. Na linguagem científica comum, felicidade refere-se a vários estados do ser que são considerados bons para as pessoas, bem como a diferentes estados prazerosos da mente. Veenhoven (1984, citada por Demo 2001, v1. p. 86), define felicidade como “o grau em que o indivíduo julga a qualidade global de sua vida como um todo favoravelmente ou o quanto gosta da vida que leva”. A busca da felicidade é o combustível que nos movimenta.
No Evangelho, encontramos a seguinte citação: “Bem-aventurados antes os que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc. 11, 27). Portanto, na visão de Jesus, feliz é aquele que presta atenção na Palavra de Deus e a coloca em prática. Ela lhe garantirá resultados felizes. O papa João Paulo II (2004) perguntava: “Pode existir alguém que não deseje ser feliz? No entanto, apesar de todos aspirarem à felicidade, a maioria não sabe como alcançá-la.” Lembrava ainda o ensinamento de Salmos: “Feliz o que, com vida irrepreensível, caminha na vontade do Senhor” (Sl 119, 1) e concluía dizendo que “a felicidade todos procuram, porém poucos se empenham em buscá-la, seguindo o ensinamento bíblico”.
Existem muitos mitos sobre a felicidade que nos despistam: felicidade seria o máximo de prazer e o mínimo de dor; felicidade seria ter um monte de dinheiro, poder, fama, eterna juventude, muitos parceiros sexuais, ter liberdade para fazer tudo o que se quiser. Segundo a máquina da propaganda, felicidade seria status elevado e poder para consumir. Esses mitos teriam algum sentido?
Martin E. P. Seligman, fundador da Psicologia Positiva, apresenta uma fórmula de felicidade que seria a resultante de três componentes: um nível constante de felicidade inato, circunstâncias externas e o controle voluntário do indivíduo (Seligman, 2002). Em relação ao nível constante de felicidade, pressupõe que “herdamos um ‘timoneiro’ que nos impulsiona em direção a um nível específico de felicidade ou tristeza.” Quando saímos desse ponto de equilíbrio, quer para um estado de tristeza, quer para a felicidade, temos a tendência de retornar a ele. Isso demonstra que cada um de nós tem um jeito de ser e de reagir, sendo resultado de nossa herança genética e das influências do ambiente onde nos desenvolvemos. Permite que nos adaptemos permanentemente às várias circunstâncias de nossas vidas. As circunstâncias externas da felicidade seriam aquelas que têm o poder de nos influenciar e alterar a nossa felicidade para mais ou para menos. Podemos apresentar uma lista muito grande desses fatores, como dinheiro, casamento, religião, vida social, emoção negativa, idade, saúde, educação, clima, raça, gênero, escolaridade, local de residência etc.
As perguntas que se impõem imediatamente são do tipo: Dinheiro traz felicidade? Quem casa é mais feliz do que quem fica solteiro? Religião aumenta a felicidade ou a restringe com suas regras? É verdade que o homem é mais feliz do que a mulher? Na medida em que envelhecemos, nos tornamos mais felizes ou vamos perdendo a felicidade? A vida social, fazer amigos é um bom caminho para a felicidade? Morar no interior é melhor do que na capital?
O terceiro componente apresentado na fórmula de felicidade de Seligman (2002) é o Controle Voluntário, que basicamente são as escolhas que fazemos em nossas vidas. Esse é o componente da fórmula da felicidade que permite maior variação, tanto para um estado de mais felicidade quanto para o de menor felicidade. Estima-se que 50% do nosso humor devem-se a fatores hereditários, ou seja, imutáveis; 10%, aos fatores externos e 40%, às nossas escolhas.
Há dois modos de alcançarmos satisfações no presente: através dos prazeres ou das gratificações. Os prazeres estão ligados diretamente aos nossos órgãos sensoriais e emoções. Como exemplo de prazeres, podemos citar: o sabor de um alimento, os odores agradáveis, o deleite provocado por um pôr-do-sol, a música etc. Os prazeres são naturais e passageiros. Quando o estímulo é interrompido, o prazer cessa. O prolongamento indefinido de uma sensação de prazer pode causar aversão. Por outro lado, habituamo-nos ao prazer de maneira que necessitamos aumentar a dose para continuar a obter a mesma sensação. E se o repetirmos com freqüência, o prazer perde o efeito. Desta forma, fica claro que não existe possibilidade de construirmos a felicidade baseada somente nos prazeres. Eles são importantes, porém insuficientes para tal. “Não ponhas tua alegria numa vida de prazer e não te obrigarás a pagar-lhes os custos” (Eclo. 18, 32).
As gratificações provêm de atividades que gostamos de praticar e que nos envolvem, absorvendo-nos de tal modo que perdemos a noção da realidade. A gratificação dura mais que o prazer, envolve raciocínio e interpretação, não cria hábito facilmente e está apoiada em nossas forças e virtudes. É difícil distinguir gratificação de prazer. Dizemos que gostamos de churrasco, de afagos nas costas ou do som dos passarinhos (prazeres), assim como dizemos gostar de jogar futebol, de ler e de ajudar nas festas do colégio (gratificações).
Mihaly Csikszentmihalyi (1999), pesquisador da Universidade de Chicago, desenvolveu o conceito de fluxo, que ocorre quando estamos totalmente concentrados em uma atividade, de forma que experimentamos uma sensação de plenitude e suspensão da consciência. A imersão total bloqueia a consciência e há uma completa ausência de emoções. A diferença entre vida boa e vida prazerosa está na diferença entre prazer e gratificação. São as gratificações que levam a uma vida boa. A felicidade está nas abundantes gratificações que a pessoa consegue ter e conservar. Só se alcança gratificação através de uma atividade que esteja em harmonia com um propósito nobre. Os prazeres estão ligados aos sentidos e às emoções. As gratificações, ao contrário, estão ligadas à representação de forças e virtudes pessoais.
Como posso ser feliz?  Posso ser feliz aumentando as situações de vida em que haja gratificação.
 
CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. A descoberta do fluxo: a psicologia
do envolvimento com a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
 
DEMO, Pedro. Dialética da Felicidade: insolúvel busca de solução,
Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. v. 2.
____ . Dialética da Felicidade: olhar sociológico pós-moderno.
2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. v.1.
 
SELIGMAN, Martin E. P. Felicidade Autêntica. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2002.

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