Como Adquirir Bens

Dinheiro, Bens e Riquezas
September 15, 2010
Espiritualidade
September 15, 2010

Como Adquirir Bens

 

A independência em relação aos pais é uma submeta que se impõe. Para que possamos atingir a plenitude, necessitamos nos tornar independentes da nossa família de origem. Até então, ela custeou toda a nossa trajetória. Precisamos traçar o plano para assumir a própria subsistência financeira. Podemos, eventualmente, dar seqüência a um negócio de família ou, ao contrário, desenvolver uma carreira profissional à parte. O mercado de trabalho oferece inúmeras oportunidades que serão ocupadas por aqueles que preencherem os pré-requisitos exigidos ou então se habilitarem.

O caminho tradicional para a ascensão econômica é mediante a formação universitária, mas hoje em dia isso não basta, pois há um grande número de formados sem emprego. A novidade no Brasil foi o estabelecimento de cotas em função da raça e condição econômica para o ingresso nas universidades. Na visão do governo, essa é uma forma de abrir espaço nas universidades públicas para pessoas com dificuldades de acesso; na dos críticos, é uma mudança de critério que irá criar uma nova classe de privilegiados: a dos ineficientes. Já podemos ver, com os resultados do primeiro exame vestibular com o novo critério, candidatos reclamando por terem sido reprovados apenas por não pertencerem a uma determinada origem racial ou nível sócio-econômico, o que não teria acontecido, se tivesse prevalecido apenas os critérios antigos de seleção. A novidade ruim é que já não basta ter méritos para ingressar na universidade.
 
O desenvolvimento de uma atividade econômica deve levar em conta as necessidades de:
a) moradia, segurança, locomoção e manutenção;
b) acesso à rede de assistência de saúde;
c) estabelecimento de uma nova unidade familiar;
d) desenvolvimento de habilidades ou talentos artísticos ou esportivos;
e) acesso a bens culturais e lazer;
f) garantia de subsistência na terceira idade.
 
“Lembra-te da pobreza quando estiveres na abundância e das necessidades da indigência no dia da riqueza” (Eclesiástico 18, 25).
 
O trabalho assalariado é a atividade remunerada para fins de subsistência exercida por aqueles que não possuem os bens de produção. A escolha do trabalho deve levar em conta as aptidões e os anseios de cada um. O fator limitador será a oferta do mercado. Cabe ao indivíduo buscar ampliar suas possibilidades de acesso. Isso poderá ser realizado por treinamento, estudo e exercício de atividade prévia que lhe garantirá a experiência necessária. Trabalhar naquilo de que se gosta é a receita para uma vida boa. A jornada média de trabalho no Brasil é ainda em torno de 45 horas semanais, o que equivale a 27% do nosso tempo disponível. Se acrescentarmos o tempo médio de duas horas diárias gastas por aqueles que vivem em grandes cidades para o acesso ao trabalho e retorno para casa, dedicaremos um terço do nosso tempo à atividade profissional. Devemos também considerar que, normalmente, dedicaremos ao trabalho o melhor de nossa energia. Muitos brasileiros, entre os quais já me incluí, necessitam estudar após o período diário de trabalho, exercendo uma atividade para a qual deveriam estar descansados, mas fazendo-a após o desgaste normal de um dia de trabalho.
 
O trabalho pode ser transitório, ou seja, mero instrumento para se atingir uma meta mais adiante. Como exemplo, o estudante de engenharia que trabalhava como vendedor até se formar, quando, então, passou a exercer a profissão de engenheiro, entretanto o trabalho como vendedor era coerente com suas habilidades e gerava satisfação. Podemos começar como empregados para adquirir experiência para, posteriormente, abrir nosso próprio negócio. Antes de assumir um negócio de família, é recomendável experimentar o trabalho fora do ambiente familiar. Isso facilitará, no futuro, a separação dos ambientes profissional e familiar. Quando o primeiro emprego é o negócio da família, a figura do “pai patrão” pode trazer muitos conflitos. A figura informal do pai confunde-se com a formal do patrão. Na família, há uma predominância dos aspectos afetivos. No trabalho, eles serão colocados em segundo plano. Por outro lado, se forem ignorados, irão complicar a situação familiar. Uma experiência formal fora da empresa familiar, quer na qualidade de estagiário, quer num emprego efetivo,  irá facilitar a diferenciação do que se recebe na família, de graça, por laços familiares, daquilo que se recebe na empresa, por méritos funcionais.
 
Outra possibilidade de carreira é o emprego público, que, a longo prazo, oferece maior estabilidade. Infelizmente, em nosso tempo o serviço público distorceu-se com a ampliação do nepotismo e o favorecimento aos membros de um determinado partido. Os melhores cargos e salários são destinados aos correligionários ou aos amigos da “corte”.
 
Uma inconsistência muito grande dos nossos tempos é as pessoas se formarem em uma carreira e irem trabalhar em outra. Temos exemplos fartos: psicóloga que trabalha como digitadora, fisioterapeuta como corretora de imóveis, psicólogo como vendedor, jornalista como caixa de banco etc. Precisamos questionar o que acontece na vida dessas pessoas: houve um erro de avaliação quando definiram o que estudar em relação à sua vocação ou escolheram algo que não tem viabilidade financeira? Ainda poderíamos considerar uma terceira hipótese a de que não descobriram o caminho para iniciar-se na carreira em que se formaram.
 
O achatamento salarial da classe média brasileira nesses últimos anos é um fator complicador. Um exemplo prático é a dificuldade que as pessoas enfrentam para se casar. As famílias de onde se originaram tinham moradias de bom padrão em bairros abastados e, em função dos rendimentos atuais, o jovem da classe média, para se casar, precisa abrir mão do conforto atual e morar num imóvel menor e em bairros mais afastados. E, mesmo assim, com dificuldades, ou seja, se quiser casar, precisa sair de uma posição mais confortável, adquirida no passado por sua família. Tenho um amigo que decidiu se casar e continuar morando com a mãe. Trata-se do seu projeto inicial para, no futuro, ter sua própria casa. Essa será uma prova a mais à qual o seu casamento será submetido. Afinal, diz o ditado popular: “Quem casa, quer casa”.
 
A capacidade empreendedora é outra possibilidade, porém as dificuldades de financiamento, existentes no Brasil, limitam muito essa via. Um fator inibidor para que as pessoas se aventurem num negócio próprio é a permanente sensação de crise que temos da atividade econômica no Brasil. Respiramos crise o tempo todo. Devemos reconhecer que a atividade empresarial tem sofrido com a maior competividade resultante da globalização, com o aumento progressivo da carga tributária, com o custo extorsivo do dinheiro e a conseqüente diminuição das margens comerciais. Aumentou o número de empresas em crise e temos poucos setores que navegam sem dificuldades, mas o Brasil tem uma geração de riquezas da ordem de R$ 2,6 trilhão ao ano, ocupando a 9ª colocação no ranking global (PIB de 2007), bolo esse que é repartido diariamente entre os agentes econômicos. Se ficarmos respirando o pessimismo a que os meios de comunicação nos induzem, corremos o risco de não agirmos, reduzindo nossas possibilidades. Os que se habilitam, tornando-se aptos e competitivos, irão recolher mais do que aqueles que ficarem à beira da estrada, esperando o tempo melhorar para seguir adiante. Podemos, agora, imputar a culpa a uma nova classe de burocratas que assumiu o poder, mas isso não resolverá nosso problema pessoal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *