Dinheiro, Bens e Riquezas

Auto-estima
September 15, 2010
Como Adquirir Bens
September 15, 2010

Dinheiro, Bens e Riquezas

Estudos concluíram que o poder de compra de um país e a satisfação média das pessoas aumentam na mesma direção. Mas essa correlação não ocorre indefinidamente. Constatou-se que à medida que a renda atinge e excede a 8.000 dólares por pessoa, a correlação desaparece e o aumento da riqueza não indica maior satisfação com a vida. Existe um patamar mínimo abaixo do qual as pessoas se sentem menos felizes e, no lado oposto, não há diferença significativa entre quem ganha um determinado valor ou quem ganha o dobro ou o triplo. Tais estudos indicam que, sozinho, dinheiro não traz felicidade, mas a sua falta significa infelicidade.
Constatou-se ainda que em países muito pobres, onde a escassez de recursos é uma ameaça presente na vida das pessoas, ser rico é um fator de bem-estar. Com a riqueza estão associados vários fatores de bem-estar, como nível de escolaridade, capacidade de se locomover, segurança, acesso à saúde e aos bens materiais em geral. Em nações mais ricas, porém, nas quais quase todos têm garantida uma rede de segurança básica, um aumento da riqueza tem efeito insignificante sobre a felicidade pessoal. Nos EUA, os muito pobres são menos felizes, mas, uma vez alcançado um nível de conforto, mais dinheiro representa pouca ou nenhuma felicidade.
 
No Brasil, a maioria das pessoas está preocupada com a subsistência básica. Apesar de a economia brasileira ocupar, no ano de 2007, a 9ª posição no ranking global, em função do tamanho populacional, o país ocupava em 2004 somente a 76ª posição no mundo em renda per capita, entretanto a distribuição de renda é extremamente desigual. Em função disso, há déficit de moradias adequadas, de acesso a níveis mais elevados de escolaridade, de alimentação, de lazer e de manutenção. A instabilidade política e econômica gera tensões sociais e pessoais muito sérias. A permanente possibilidade de crise intranqüiliza as pessoas e a elevada taxa de desemprego, assombra os empregados, além de ser, naturalmente, um problema premente para os desempregados. Minha mãe costuma contar a história de sua infância em Piraí do Sul, pequenina cidade no sul do estado do Paraná, na década de 1940. Meu avô fabricava sapatos, tinha um estabelecimento com um pequeno balcão e dois grandes bancos de madeira nas laterais, onde recebia seus amigos para a prosa, enquanto fumavam seus cigarros de palha ou cachimbos. Ela lembra que minha avó não gostava quando um tal de Abílio participava da conversa. Ele sempre vinha falar que a crise não estava fácil e isso deixava o meu avô nervoso. Na pequena Piraí do Sul, a notícia da crise alarmava mentes e corações. A ameaça permanente do caos econômico é uma experiência que infelicita muitos brasileiros. Existe a crença generalizada de que não basta um excelente desempenho individual para se ter estabilidade econômica.
 
Um dado muito interessante levantado pelas pesquisas é que, mais do que o próprio dinheiro, o que influencia a felicidade é a importância que você dá a ele. Em todas as faixas de rendimento, aqueles que valorizam mais o dinheiro do que outras metas estão menos satisfeitos com o que ganham e com a vida como um todo. Podemos encontrar na fala de Jesus uma chave de compreensão: “Onde estiver o teu tesouro, ali estará o teu coração”.(Mt. 6, 21).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *