Casamento

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O casamento está intimamente ligado à felicidade. O National Opinion Research Center, instituto de pesquisa da opinião pública, entrevistou 35 mil pessoas nos EUA nos últimos 30 anos e destacou que 40% das casadas se disseram muito felizes, enquanto apenas 24% das solteiras, divorciadas, separadas e viúvas tinham essa opinião.

Entretanto, entre aqueles que vivem casamentos que consideram “não muito felizes”, o nível de felicidade é mais baixo que o dos solteiros ou divorciados. Há de se considerar aqui que pessoas que já são mais felizes, têm boa aparência e são mais sociáveis, possuem maior probabilidade de se casar e manter o casamento. Indivíduos deprimidos tendem a ser mais retraídos, irritáveis e voltados para si, o que os torna parceiros menos interessantes. (Seligman, 2002).

Weinberg e Mizuta (2005) apresentaram uma reportagem sobre a solidão no Brasil. Comentaram dados do censo do IBGE, realizado no ano 2000, no qual o número de mulheres solteiras, separadas e viúvas totalizavam 20 milhões, enquanto o de homens era em torno de 15 milhões. Destacaram que um outro estudo, realizado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, mostra que as solitárias brasileiras com pretensão de arrumar um parceiro precisam se apressar. O estudo indica que, a partir dos 35 anos de idade, a taxa de solidão feminina aumenta e a do homem diminui.

A reportagem apresenta os motivos pelos quais o número de mulheres sozinhas supera o de homens na mesma situação: a) na faixa dos 30 anos, quando a solidão feminina começa a ultrapassar a masculina, a população de mulheres é 4% maior que a de homens. Aos 60 anos, a diferença salta para 13%. As mulheres vivem em média oito
anos mais do que os homens; b) os homens tendem a procurar mulheres mais jovens do que eles para se casar. Se os homens dão prioridade à juventude do parceiro, as mulheres guiam-se por outros critérios. “A mulher procura parceiro que considera mais bem-sucedido e mais inteligente do que ela mesma”. As solteiras que são profissionais de sucesso têm uma dificuldade adicional, pois suas expectativas em relação ao parceiro tendem a aumentar e o leque de opções fatalmente se reduz.

Inúmeros estudos indicam que um bom casamento é fator gerador de felicidade e que um casamento ruim é fator de infelicidade. Dessa forma, fica claro que aqueles que buscam a felicidade têm no casamento uma de suas possibilidades de alcançá-la. Só que não basta se casar para ser feliz, é necessário investir muito na vida conjugal e na família para se alcançar essa meta. O casamento começa com a atração física e só irá sobreviver se os laços se desenvolverem, aprofundando- se. Questões como dedicação e fidelidade são fundamentais para que a relação conjugal torne-se um fator de felicidade. Aquele que não está disposto a isso deve precaver-se, pois o casamento pode ser também fonte de muita infelicidade.

Recentemente, ouvi, numa cerimônia de casamento, uma homilia que me chamou muito a atenção. O celebrante disse que não se sai casado do altar, mas se sai casando, já que o casamento é um processo e que, para ser feliz, precisava se sustentar em quatro pilares. O primeiro seria o perdão. A convivência de duas pessoas imperfeitas gera atritos que devem ser resolvidos com o perdão. São Paulo sabiamente já exortava dizendo: “Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (Ef. 4, 26b), ou seja, não vá dormir ressentido. Não carregue esse mal para o dia seguinte. O segundo fundamento seria o serviço. Cada cônjuge deveria se colocar a serviço do outro e não para ser servido pelo outro. O foco de atenção seria o outro. O terceiro pilar seria o diálogo. Através do diálogo sincero tudo poderá ser resolvido. Dialogar significa sair de si em direção ao outro, compreender o que o outro me diz, abrir-se à visão do outro, praticar a transparência. E, finalmente, o quarto pilar seria a fé, que significaria acreditar realmente que as promessas que foram pronunciadas naquela cerimônia poderiam ser levadas à frente por toda a vida. Para aqueles que querem casar-se, existem muitas orientações disponíveis que poderão ser consultadas.

As pesquisas no Brasil indicam também que os filhos, apesar de gerarem grande dose de preocupação nos pais, são fonte de muita satisfação na vida do casal.

Referências

SELIGMAN, Martin E. P. Felicidade Autêntica. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2002.

WEINBERG, Monica e MIZUTA, Erin. Capitais da solidão. Revista
Veja, São Paulo, 27 abr. 2005. p.126.

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