Autoconhecimento e Lívre Arbítrio

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November 17, 2015
Espiritualidade
November 17, 2015

Autoconhecimento e Lívre Arbítrio

Senior woman leaning on hand and looking forward.

Senior woman leaning on hand and looking forward.

Por Daton Rothen

Todo ser humano tem como energia fundamental a preservação de sua existência e o seu desenvolvimento pessoal, ou seja, todos são inclinados para a autopreservação e motivados de maneira inata para um processo de crescimento e desenvolvimento. Perguntas fundamentais: quem somos? De onde viemos?

Para onde vamos? Em que podemos acreditar e esperar? Certamente, responder a estas questões pode ser tarefa para uma vida toda e é provável que, ao final, o indivíduo ainda não tenha respostas que possam satisfazê-lo totalmente. A espécie humana é a única que tem consciência de si mesma e de sua existência. O conjunto de crenças que ela constrói irá influenciar decisivamente sua trajetória.

Outro aspecto importante na formação de cada indivíduo é sua convicção a respeito de sua capacidade de agir e interagir nesse mundo com as pessoas e coisas. Se o homem pensa que tudo já está determinado e que pouca coisa pode ser alterada, passará a vida agradecendo ou maldizendo sua sorte. Se, no entanto, ele se percebe como agente da história procurará identificar e modificar seu destino. Os condicionamentos a que ele foi sujeito também lhes darão maior ou menor dinamismo. Ao transferir a responsabilidade de seus fracassos para os outros, as pessoas deixam de fazer a ação correta. Sem dúvida, existe uma gama de influências sobre as pessoas das quais elas não têm controle, assim como não têm controle sobre o tempo de duração de sua existência, por exemplo. Ou, de repente, podem ser assaltadas, por mais que se previnam, ou então desenvolver uma doença fatal inesperada.

Existe uma série de interferências que não estão sob o controle do indivíduo, que não estão subordinadas ao livre-arbítrio pessoal. No entanto, existe uma série de outras ações que dependem do livre-arbítrio e é dentro dessa gama, dentro deste espaço que as pessoas podem agir. Se agirem de maneira coerente, poderão atingir seus objetivos, mas se atuarem de maneira incoerente, sem um direcionamento de suas ações para aquilo que desejam, só irão chegar lá por sorte. E aí ficam à mercê do acaso. Mas a regra é que irão desembocar em algum lugar diferente do que haviam previsto.

Podemos entender os limites do livre-arbítrio, adotando uma imagem que contenha um grande círculo com vários outros de menor tamanho, contidos um dentro do outro.

O maior seria a natureza; dentro dele, o seguinte seria o Estado; a seguir, viriam a sociedade, as instituições, as outras pessoas em geral, a família, nossa psique e lá dentro, no último, vem o espaço do livre-arbítrio. E é nesse espaço que iremos agir.

Devemos considerar que o livre-arbítrio condiciona-se também por nossas realidades internas, que seriam a psique da pessoa, os dados internos, os dados do inconsciente, aquilo que a pessoa tem armazenado dentro de si, os hábitos, condicionamentos e sentimentos que irão restringir a amplitude do livre-arbítrio. Mas, dentro de nós ainda existe um espaço de liberdade que denominamos livre-arbítrio. Esse espaço pode ser ampliado ou reduzido pelo indivíduo através da sua formação, aquisição cultural, prática religiosa e autoconhecimento. Se não exercitarmos o livre-arbítrio, nossa vida será controlada pelo mundo exterior para assumir propósitos alheios aos nossos.

A nossa programação biológica nos utilizará para passarmos à frente nossos genes, procriando; a sociedade, para propagar seus valores; as instituições e demais pessoas tentarão tirar o máximo de nossa energia para levar adiante seus próprios planos. Apesar de todas as limitações, o indivíduo precisa, para se desenvolver, aumentar seu autoconhecimento, saber quais são seus dons e talentos, entender a sua maneira de pensar e agir, qual é o seu temperamento e conscientizar-se de suas facilidades e dificuldades nos seus relacionamentos.

Poderá obter informações a respeito de si mesmo através da introspecção e das informações que as pessoas poderão lhe dar. Existem coisas a nosso respeito que só nós sabemos. Há outras que somente os outros sabem, outras que nós e os outros sabemos. E, finalmente, aquelas que nem nós nem os outros sabemos a nosso respeito. São aquelas que ainda permanecem ocultas. Nossa mente pode ser dividida topograficamente em três níveis: consciente, subconsciente e inconsciente.

O nível consciente refere-se àquilo que temos presente no nosso momento imediato.

O subconsciente refere-se às coisas que não estão presentes em nosso momento imediato, mas que a qualquer momento podem ser evocadas ou vir a povoar nosso consciente.

E, finalmente, o inconsciente refere-se àquelas coisas que não estão disponíveis ao nosso consciente, entretanto, apesar de não estarem presentes, influenciam nosso modo de pensar, sentir e agir. Diz Jesus no Evangelho segundo Marcos que “de dentro, do coração do homem saem os maus pensamentos” (Mc 7, 21). E completa: “Todas essas maldades saem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7, 23). E Jesus ainda diz que, “do interior do coração, o homem pode tirar coisas boas ou más” (Lc 6,45).

Eu preciso aprender a me entender como um todo. Não posso ser só aquilo que há de bom e rejeitar os aspectos menos aceitos, ditos negativos ou não valorizados. Eu sou bom e sou mau. Essa consciência é algo importante no autoconhecimento. Não posso querer ser somente a parte boa, negando a má. Conhecer como somos é um desafio.

Durante nossa vida, somos estimulados a negar e a reprimir aquilo que não é tido como bom. E nessa negação vamos colocando uma sombra em parte de nós. Esse processo de negação não muda nossas características, simplesmente faz com que ignoremos parte de nós. Conhecer-me primeiramente como sou é o pré-requisito para qualquer transformação.

O ser humano, em sua totalidade, é espírito, alma e corpo. Nasce incompleto, porém com toda potencialidade para vir a ser. Seu destino é aperfeiçoar-se através de suas escolhas.

Dalton Rothen
Psicólogo e autor do livro “Para uma Vida Melhor”
dalton@paraumavidamelhor.com.br

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