Felicidade no trabalho: quem cuida disso?

20100905 – Domingo 05 de Setembro de 2010
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Felicidade no trabalho: quem cuida disso?

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Milton Pereira (*)

Não faltam pesquisas indicando o grau crescente de infelicidade no ambiente de trabalho. Apontam executivos estressados e solitários, com dificuldades de conciliar a vida profissional com a familiar; funcionários desmotivados, sem sentirem prazer pelo trabalho que executam ou sem entenderem objetivos de suas tarefas e suas conexões com oportunidades de desenvolvimento da carreira.

São ou deveriam ser do conhecimento das áreas de RH altos índices de turn over motivados ou pelo ambiente inóspito de empresas que tratam as pessoas como “recursos” descartáveis ou pelas turbas de chefes que usam seu micropoder para punir e controlar, cometendo rotineiramente toda sorte de assédio moral.

Em muitas empresas, chefes despreparados reinam absolutos, criando as próprias leis, impondo políticas e critérios próprios no âmbito do feudo que “comandam”, tudo isso à revelia dos valores organizacionais e “às barbas” das áreas de RH. Estas estão hoje preferindo debater seu papel estratégico ante o negócio da empresa. Esse RH (felizmente há exceções) é aquele que acredita que o mecanicismo de sua proposta de atuação na empresa é o que fala a língua mais familiar aos “patrões” e, por isso, lhe dá fôlego suficiente para sobreviver por mais alguns anos.

Nessa linha de pensamento, basta, então, organizar bem os processos, ter sistemas sofisticados de gestão ou importar aquele modelo de avaliação de performance da matriz, ter um bom sistema de remuneração e benefícios e criar uma coleção de manuais em que não escapam “job descriptions” de toda a “força de trabalho”, orientação de carreira e uma vasto “how to do” para as pessoas se moverem dentro da empresa.

As pessoas bem controladas e os relatórios mensais apresentados em “powerpoint” de primeira seriam entregas mais que suficientes para caracterizar um RH moderno e antenado com o negócio da empresa. Mas para quem fica a efetiva “gestão das pessoas”? Para os líderes – responderiam os mecanicistas. Ocorre que esses líderes, mal nominados, são aqueles chefes que, na verdade, só se ocupam da função “controle de pessoal”, cuja bíblia remonta aos anos da Revolução Industrial.

A fragilidade desse “RH Mecanicista” é escancarada quando se demonstra a baixíssima aderência do seu arsenal de ferramentas à satisfação das pessoas no trabalho e ao seu engajamento à cultura organizacional. Fica evidente a falta de sintonia de práticas dos inúmeros chefes com os proclamados princípios de desenvolvimento de verdadeiros líderes e salutar dos valores corporativos.

Essa “linha de pensamento” do RH deixa órfã a questão da felicidade no trabalho, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional ou o simples prazer que as pessoas possam ter de vir para o trabalho e executar atividades com significado. Deixa órfã a gestão do relacionamento interpessoal no trabalho, a questão dos sentimentos e emoções e as relações produtivas entre líderes e liderados.

Alguém tem que cuidar da humanização dos ambientes empresariais, com a crença firme de que pessoas felizes são produtivas e de que o negócio da empresa será mais próspero quanto mais FELICIDADE existir lá dentro. O RH será moderno se deixar de ser mecanicista e se tornar verdadeiramente humanista.

(*) Diretor de Desenvolvimento Humano América Latina da Serasa Experian

Publicação do Jornal de Recursos Humanos – nº 1402 – veiculado pelo Jornal “O Estado de São Paulo” em 09/01/2011.

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